Labirinto de Astérion

para percussão solista e ensemble (duas flautas, sax tenor, piano e percussão)

Duração: 11 minutos 

Partitura:

Para partitura em pdf e material de performance, contate o compositor em pacheco.levy@gmail.com.

Nota de programa:

A peça O Labirinto de Astérion é inspirada em dois textos que falam sobre repetição. O primeiro é o texto A casa de Astérion do escritor argentino Jorge Luis Borges, no qual, o título da peça é inspirado. No conto, Astérion narra sua rotina dentro do labirinto em que vive. Como em toda rotina, a vida de Astérion é marcada pela repetição. Tal repetição, apesar de predominante, é, por vezes, interrompida de alguma forma, seja por um breve (e mal-sucedido) passeio fora do labirinto ou a chegada de nove homens que, de nove em nove anos, vão à casa de Astérion “para serem libertados de todo o mal”. Sendo assim, a vida de Astérion, como a nossa vida contemporânea, é marcada por expectativas criadas a partir da repetição cotidiana. 

 

O segundo texto é o aforismo 341 do livro A Gaia Ciência de Friedrich Nietzsche. Nesse trecho, o autor fala sobre o eterno retorno:

 

E se um dia, ou uma noite, um demônio te seguisse em tua mais suprema solidão e te dissesse: "Esta vida, tal como vives atualmente, tal como a viveste, terás de vivê-la ainda (…) inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, pelo contrário! Cada dor, cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência (…). A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi coisa tão divina!”. Se este pensamento te dominasse, tal como és, te transformaria talvez (…). A pergunta “queres isso ainda uma vez e um número incalculável de vezes?” (…) pesaria sobre todas as tuas ações com o peso mais pesado!

 

A peça O Labirinto de Astérion utiliza-se amplamente do processo repetitivo para simbolizar tais características textuais. A repetição de certos motivos é constante, porém, sempre recontextualizada com pequenas variações em novos ambientes sonoros. Sendo assim, espera-se que, apesar do ouvinte sempre se deparar com a mesma ideia musical, ela não se torne previsível e que seu interesse mantenha-se sempre renovado.

Histórico de performances:

 

 

  • 13/11/2019: Série de concertos UFOP CONVIDA! – Solista: Charles Augusto – Ensemble: Ateliê C. – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, Brasil. 

 

  • 01/12/2019: Concerto ATELIê C. – Solista: Charles Augusto – Ensemble: Ateliê C. – Performer: Ensemble Ateliê C. – Fundação de Educação Artística, Belo Horizonte, Brasil. 


 

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